Paula Rego nasceu em Lisboa a 26 de janeiro de 1935, no seio de uma família da alta burguesia, de tradição liberal e republicana, com ligações à cultura inglesa e francesa. Durante os seus primeiros três anos de vida viveu com os seus avós paternos, na quinta que a sua família possuía na Ericeira, devido aos seus pais terem partido para Inglaterra a fim de terminarem os seus estudos académicos, criando aí as suas primeiras memórias de vida e umas das principais fontes de inspiração para as suas obras artísticas. Mais tarde, foi diagnosticada com tuberculose, passando a residir, por recomendação médica, junto ao mar no Estoril e a passar os fins de semana na casa dos avós na Ericeira. Recuperada da doença, iniciou os seus estudos no Colégio Integrado Monte Maior, em Loures, ingressando posteriormente, em 1945, na St. Julian's School, em Carcavelos, sendo o seu talento para a pintura reconhecido bastante cedo pelos seus professores. Após concluir o ensino secundário, em 1952 partiu para Londres, onde estudou na Slade School of Fine Art até 1956 e conheceu o pintor inglês, Victor Willing, com quem passou a viver e se casou em 1959. Regressada a Portugal em 1957, passou a residir na Ericeira com a sua família, continuando durante esse período a criar efusivamente novas obras e a participar ocasionalmente em exposições colectivas em Inglaterra. Ainda no mesma época, a pintora tornou-se bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e expôs colectivamente perante o público lisboeta em 1961, na II Exposição da Gulbenkian. Somente cinco anos depois, Paula Rego expôs individualmente pela primeira vez, na Galeria de Arte Moderna da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1966. Em 1975, inspirada pelo universo literário dos contos populares portugueses, Paula Rego recebeu uma nova bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, começando a desenvolver uma intensa pesquisa, da qual criou a série de guaches Contos Populares Portugueses. Regressando à pintura, mais livre e mais directa, retratou o mundo intimista e infantil, inspirado em dados reais ou imaginários, com narrativas zoomórficas pertencentes a um teatro de crianças de Victor Willing, através das figuras de um macaco, um leão e um urso, assim como inspirou-se na obra literária de George Orwell, "1984", criando o painel Muro dos Proles, com mais de seis metros de comprimento, onde estabeleceu um paralelismo com as figuras de Hieronymus Bosch. Pouco depois, deu uma viragem radical na sua obra com a série da menina e do cão, onde a figura feminina assumia claramente a liderança na acção, enquanto o cão era subjugado e acarinhado. Ainda na mesma década, em 1987, Paula Rego assinou com a Galeria Marlborough Fine Art, ganhando divulgação internacional e dando entrada com obras da sua autoria nas colecções do Tate Museum e da Saatchi Collection. Durante a última década do século XX, a convite da primeira edição do programa Associate Artist Scheme da National Gallery, a pintora ocupou um atelier no museu, destacando-se desse período a obra Tempo – Passado e Presente e a série de pinturas a pastel intitulada Mulher Cão (1994), que marcou o início de um novo ciclo de representações de mulheres simbólicas. Apesar de viver no estrangeiro, a pintora continuava atenta à situação política e social de Portugal, demonstrou o seu desagrado com o resultado do primeiro referendo ao aborto, realizado no país em 1997, com a obra Aborto, gerando o choque e abrindo novamente a discussão do tema na imprensa portuguesa. O Retrato oficial do Presidente Jorge Sampaio realizado em 2005, mas só revelado ao público em 2006, introduziu pela primeira vez uma mulher na galeria de pintores oficiais da Presidência da República. A 7 Julho de 2012, apresentou uma série de pinturas inéditas, numa exposição em parceria com a artista portuguesa Adriana Molder, inspirada na narrativa histórica de Alexandre Herculano, intitulada “A Dama Pé-de-Cabra”, na Casa das Histórias em Cascais. Lançado em 2017, Nick Willing, filho de Paula Rego, realizou o documentário "Paula Rego, Histórias e Segredos" (Paula Rego, Secrets & Stories), produzido pela Kismet Films para a BBC, com imagens de arquivo familiar e pessoal nunca antes mostradas ao grande público, revelando também o lado mais intimo da vida e obra da pintora portuguesa, que sem restrições aborda directamente temas como a sua luta contra o Estado Novo e a misoginia no mundo das artes assim como a sua